quinta-feira, 18 de abril de 2013

CORREDORES DE LUTO

E aí, Corredor?!

Onde só existia alegria ficou a tristeza
Os corredores de todas as modalidades estão de luto. O atentado ocorrido nesta segunda-feira, dia 15 de abril, na Maratona de Boston trouxe a tona a fragilidade que o mundo vive hoje diante de atos terroristas. E nós, esportistas, que estamos lá apenas pelo prazer nos vemos intimidados na nossa tentativa de praticar nosso esporte, amedrontados que ficamos diante de tal barbárie.

A Maratona de Boston é a mais tradicional e mais antiga prova da modalidade do mundo. Ela existe a 117 anos, sempre sendo disputada na terceira segunda-feira de abril, quando é comemorado o Dia do Patriota nos EUA. A prova é uma das Top Five, cinco maratonas consideradas as principais do Mundo - além dela temos a de Nova York e Chicago também nos EUA e a de Berlim (Alemanha) e Londres (Inglaterra).

Por todas estas características, a Maratona de Boston atrai milhares de interessados. Corredores do mundo inteiro participam da prova. E o público que acompanha pelo percurso, incentivando os corredores, também é enorme.

Eram mais de 25 mil corredores disputando os 42,195 km da prova, sendo que 131 deles eram brasileiros. Com 4h09 de corrida, na linha de chegada, uma bomba, de fabricação caseira (pólvora colocada numa panela de pressão recheada de pregos), estourou deixando centenas de feridos e 3 mortos, entre eles uma criança de apenas oito anos de idade.

Uma das explosões foi próxima à chegada e num momento em
que muitos corredores estão completando a prova
Três explosões aconteceram no total. Os brasileiros que participavam da prova relataram, para as várias agências de notícias do país, o desespero e a comoção que tomou conta de todos, nada da alegria que sempre faz parte das corridas de rua.

A partir do momento das explosões, a prova foi suspensa. Somente concluiu a maratona quem cruzou a linha de chegada antes do atentado. Todos os eventos relacionados à maratona foram suspensos – cerimônia de premiação, festa e entrevistas coletivas, entre outros. 

Pelo que deu para perceber, os mais afetados pelas explosões foram os torcedores, que lotaram as ruas de Boston pelo percurso todo da prova, motivando os corredores com gritos de incentivo e oferecendo copos d'água e que não mereciam ver este final para esta edição da Maratona.

O vencedor da prova foi o etíope Lelisa Desisa, com  2:10:23, seguido pelo queniano Micah Cogo (2:10:27) e o também etíope Gebre Gebremariam (2:10:28). No feminino, o Quênia manteve a hegemonia, com o primeiro lugar de Rita Jeptoo (2:26:55). Na segunda POSIÇÃO, a etíope Meseret Hailu (2:26:58) e em terceiro, Sharon Cherop, do Quênia, com 2:27:01.

O pequeno Martin segura um cartaz pedindo para que não
maltratem as pessoas, pedindo paz
Mas infelizmente esta Maratona de Boston não será lembrada, como todas as outras, por mais esta vitória de corredores africanos, nem pela alegria dos corredores e do público. 

O que ficou para a história foi a imagem das explosões e a lembrança do menino Martin Richard, vítima mais que inocente do atentado. Ficou também o medo de novos ataques nas provas que ainda estão para acontecer pelo mundo.

E fica no ar a pergunta: por que?

domingo, 14 de abril de 2013

GOLDEN FOUR ASICS RIO - MINHA MEIA MARATONA MAIS LONGA

Eu e Aline na largada da Golden Four, fotografados pelo Orion

E aí, Corredor?!

Pois é. Foi. O meu pior tempo em uma meia maratona até hoje. Pela primeira vez faço a distância em 2h, algo que não aconteceu nem na complicada Farol a Farol de Salvador/BA. Justificativas existem muitas, mas o principal é que terminei bem, o que foi o mais gratificante no final.

Como estava de férias, fiquei sem treinar uns 10 dias antes da prova, sem correr nada, o que mostrou que sem treino não dá mesmo para querer fazer bonito. Ainda tinha o calor e acabei não escolhendo o tênis ideal, correndo com um Asics que ficou pesado por conta da água que joguei no corpo para me refrescar.

Mas fiquei feliz mesmo assim. Completei a prova bem e fiz ela tranquilo. Procurei cadenciar o ritmo de corrida, já pesando na maratona, em julho. E assim fiz, quase como um reloginho, cada quilômetro em 5:40 min.

No final, depois de terminada a prova, eu, Aline e Orion resolvemos voltar para Copacabana, onde estávamos, correndo. Para isso, tínhamos que correr pela Avenida Niemayer, sem proteção e na base da aventura, até chegara ao Leblon, onde a pista e fechada para lazer aos domingos. E fomos, num ritmo tranquilão já que eram 2k de subida intensa e 2k de descida. Um experiência muito louca mas muito legal mesmo.

Mais de 6 mil corredores encararam a Golden Four carioca
Golden Four - A Golden Four usou a orla carioca, tendo inicio no Recreio, já bem próximo a Reserva. O destino final da prova era o Arpoador, próximo ao Golf Club. Para chegar lá, além de passarmos pelo infindável retão da Reserva, cruzamos toda a praia da Barra, subimos o elevado do Joá, cruzando o túnel de baixo para, então, terminar no Arpoador. No total, 21,2 km de prova, um pouco maior que os  oficiais 21,09k da distância.

Basicamente o percurso é plano, mas na Reserva temos uma subidinha quase imperceptível, mas constante. A outra subida é a do elevado e na chegada, no Arpoador, depois de descer o Joá, plano bom para o sprint.

O visual, é claro, é paradisīaco. A orla do Rio é simplesmente fantástica e olhar para a praia e o mar em alguns momentos chega a relaxar da constância das pisadas. O dia amanheceu nublado, mas o calor veio, só que na forma de um mormaço, com uma umidade que cansava e pesava um pouco. Não tanto quanto na Meia Farol a Farol, de Salvador/BA, já que no Rio temos uma brisa fresca vinda do mar, mas pesou.


No túnel do Joá, completando 18 km de prova
Minha corrida - Tinha um objetivo, fazer a prova em um ritmo constante, de 5:40min/km, que é o que estou querendo para a Maratona do Rio de julho. Como não estava no meu melhor condicionamento, não só por causa da falta de treino mas principalmente pelos pequenos excessos na alimentação, a Golden Four seria um teste e meu objetivo era me concentrar para manter este ritmo.

Acabei, na maior parte da prova, conseguindo isso, tanto que terminei em 2h01 os 21,2k. Mas, apesar do ritmo mais tranquilo, não foi fácil correr. O dia apresentou um mormaço e estava bastante úmido, o que trouxe o calor e a necessidade de me encharcar de água e, assim, molhar demais o tênis, um erro, já que o calçado mostrou-se pesado e, pior, a meia molhada demais atritou demais com os dedos dos pés, o que trouxe dificuldades na corrida já que as unhas sentiram este atrito.

Sabendo que não poderia fazer um belo tempo, parei para fotos, que tirei no Joá e no inicio da prova, na largada. E no final tentei fazer um sprint, sem olhar para o relógio para não me prender ao tempo, que já sabia que não seria dos melhores.

Fiquei feliz, apesar da baixa performance. Fiz uma boa prova, visto que estava sem condicionamento, e havia caminhado muito e andado de bicicleta no dia anterior. Aí, senti as pernas um pouco pesadas.

Orion, grande amigo da Equipe X, na Golden Four
Organização - Muito boa, a Golden Four foi a primeira prova onde em todos os postos de hidratação tínhamos a disposição isotônico, além de muita água, coisa que só vi na Disney.

A camiseta e a viseira entregues no kit ficaram bonitos e com material de qualidade, como sempre, apesar da camisa parecer ser quente para correr. Mas a retirada do kit, feito na Barra, longe de onde geralmente quem vem de fora fica, não foi uma escolha legal, mesmo com o atrativo da feira.

A medalha perdeu muito em beleza em relação às das edições anteriores. Nada com o dourado do símbolo da Asics. Um latão rústico onde podemos gravar nosso tempo, se quisermos. 

No final, junto com o kit de reposição com frutas e isotônico, um Gatorade com gosto de remédio mas que promete reposição rápida de sais minerais, uma toalhinha da Asics. E ainda a informação do tempo líquido que chegou via SMS pelo celular.

Enfim, a organização, no que diz respeito a prova, foi impecável, mas acho que poderia repensar algumas coisas, principalmente local da entrega do kit e na medalha. 

Ah! A Golden Four ainda tem mais três etapas. A próxima é em Porto Alegre/RS, depois São Paulo e Brasília.

Aline, já descendo a Niemayer
Niemayer - Nossa corrida - minha, do Orion e da Aline - não terminou na linha de chegada da Golden Four Asics. Para voltar a zona sul resolvemos correr, passando pela difícil subida da Avenida Niemayer e depois pelo Leblon, Ipanema e finalmente Copacabana.

Nos juntamos no ponto da chegada, e partimos após a chegada a Aline, que chegou uns uns 10 minutos depois de nós (eu e Orion). Daí, saímos para a nossa corrida de aventura, já que na subida da Niemayer teríamos que dividir espaço com os carros.

A subida tem 2 km de intensidade. Depois e descer mais 2 km. De presente, além da adrenalina, a continuidade do belo visual da orla, com uma visão incrível do Pão de Açúcar e das praias de Ipanema e do Leblon. Paramos em um ponto para tirarmos algumas fotos desta beleza.

Orion imprimiu um ritmo mais forte e foi o primeiro a chegar ao Leblon. Depois de uma hidratação, eu e Aline refugamos e resolvemos pegar a bike, enquanto Orion continuou sua corrida, chegando até o seu hotel, em Copacabana.

No total, considerando Golden Four e corrida de aventura, eu e Aline fizemos cerca de 25 km e Orion, 31 km.

Além de Orion, eu e Alina, ainda correram a Golden Four Diva e Nati, além do professor Nirley, que também voltou para o hotel em Copa correndo como nós. Mas ele chegou bem antes.

Agora é voltar para os treinos semana que vem, já que ainda estou de ferias, me preparando para a Maratona, minha terceira em solo carioca.

Boas passadas.

quinta-feira, 28 de março de 2013

MOUNTAIN DO DESERTO DO ATACAMA - POR GRACE GHESTI

E aí, Corredor?!

Deserto do Atacama, um dos desafios mais radicais do mundo das corridas. E foi lá que no dia 17 de março de 2013 um intrépido grupo de corredores da Equipe X resolveu encarar uma prova muito difícil, o Mountain Do Deserto do Atacama. A Equipe teve atleta nas três modalidades da prova - 5k, 23k e Maratona (42,195k). Eles encararam o emocionante desafio, onde tudo era muito extremo: subidas radicais correndo em dunas que "engoliam" a perna até o joelho, cascalho, poeira, altitude, secura, frio e calor.

Grace, amiga da Equipe X que encarou os 23 km e com que pude dividir alguns treinos preparatórios para a prova, preparou, a meu pedido, um depoimento sobre o desafio. O texto emocionou mesmo e eu me senti lá, correndo emocionado pelo deserto. Preparem-se! É de arrepiar!

Mountain do Deserto do Atacama - Por Grace Ghesti

Grace e Sérgio (marido) no pódio após o triunfo
"Um desafio foi lançado em setembro de 2012 e, no dia 17 de março de 2013, foi cumprido com êxito! A corrida Moutain Do Deserto do Atacama, Chile! Uma das maratonas mais difíceis do planeta em função da altitude, variação de temperatura ao longo do percurso e baixa umidade relativa do ar. Não fiz a maratona, mas fiz 23 km. E, mesmo assim, a corrida pode ser resumida em uma palavra: sinistra!


Foram 6 meses de preparação em clima seco, com direito a alguns treinos off-roads, dentre eles: Arraias-TO, Lencois maranhenses - MA, fazenda Taboquinha - DF e Altiplano -DF. Além dos diversos longões por Brasília-DF. Obrigada Nirley Braz por todo treinamento e dedicação. Ver todos os corredores da Equipe X chegando emocionados e bem fisicamente, não tem preço!

A corrida - Uma corrida organizada por brasileiros no Atacama. Por toda a cidade, só tinha brasileiro. A grande maioria buscava e esperava a “maratona mais difícil da vida deles”. Depois, encontrei com vários, e eles me confirmaram...

Grace e Thaís
A prova passou por lugares nunca imagináveis. Eu acreditava que isso só era possível em filmes e desenhos. No deserto do Atacama a paisagem é única, imagina uma corrida??? Se não fosse a excelente organização, se perder seria muito fácil. A corrida passar por salares, vales, dunas de areia, montanhas de pedras vulcânicas, frio, calor, céu azul de sol brilhante sobre mais de 700 brasileiros, corredores amadores experientes e iniciantes, que dividiram comigo esse desafio extremo.

No dia 16, tivemos uma orientação sobre a prova e recebemos a grande notícia: o percurso havia sido modificado e estaria mais difícil.... A partir deste momento, eu só observava tensão nos olhos dos meus amigos corredores... Depois, fomos comer uma massa. Simplesmente, não havia mais massa na cidade! 

Detalhes do meu dia - No grande dia, acordei cedo. Tomei os suplementos indicados pelo Dr. Victor Hugo (Clínica Bionutris) e o café da manhã. No Brasil, costumo tomar cafeína para correr, mas no deserto a orientação era não tomar. Como seria o dia mais difícil da minha vida sem a minha querida cafeína??? Mas, agora não dava mais para desistir. Vesti toda a vestimenta para a “Guerra” e não tinha mais volta! A largada foi no meio da cidade, muito emocionante. Estava muito frio, 10°C. 

Garra e determinação foram o maior "combustível"
Em função disso, a organização deixou um caminhão aos 5,5 km para que pudéssemos jogar os nossos casacos, tomarmos água e seguirmos o nosso percurso. Até este momento, o trecho era em asfalto, com uma leve subida. Fomos até o Vale de la Luna, onde a corrida começou pra valer! Inicialmente, terreno irregular com várias duninhas. Subíamos e descíamos a cada 50m. No 8 km, um posto de Gatorade. 

Até aqui tranquilo. Não conseguia ver o restante do percurso, pois este posto estava em uma esquina. Depois de passar por ele, respirei fundo e pensei: Força! O desafio de verdade começou! Uma duna, com uma montanha irregular, criaram uma passagem bem estreita. Como estava bem, ultrapassei um monte de gente e fiz esse trecho muito bem. Não podia fazer feio, por isso segui correndo. Encontrei meus amigos “X” Thais e Rafael. O trecho tinha algumas subidas, o terreno era bastante irregular, mas a paisagem era linda demais! Nunca vi nada parecido! A companhia neste momento foi fundamental para superarmos este trecho até os 13 km. Foi aí que tomamos água, o 2º gel e o meu pesadelo: a DUNA MEGA ULTRA BLASTER mais famosa da corrida. Realmente, ela é terrível! Mas, nós estávamos bem. Neste momento, algumas pessoas já não se sentiam bem e foram ficando para trás. 

Percurso é recheado de trechos radicais
Nós continuamos felizes e acreditando que o pior ainda estava por vir, uma vez que a prova tinha ficado mais difícil. O Garmin da Thais, marcava 10 km, então estávamos nos preparando para mais uma duna. Continuamos correndo pela Cordillera de la Sal (Vale de la Luna), entre pequenas dunas até o ponto da Pepsi, 17 km. Sim, eles estavam entregando pepsi no meio da corrida! Nem pra ser uma coca-cola no meio do deserto!   Entramos no Vale de la Muerte. A paisagem ficou mais bonita ainda e, o melhor, era descida. 

O trecho bastante tortuoso, mas era descida. Todos diziam que já estava no fim e que faltavam apenas 4 km. Entramos na Pucara de Quitor, onde o trecho era plano, e sentíamos que a corrida estava acabando. Este trecho foi o mais longo da minha vida! Quando o meu GPS marcava 20 km, comecei a sentir uma dor no peito do lado direito. O ar começou a ficar inacessível e nada da chegada. Continuei firme e forte! Se tiver que desmaiar, que seja agora no final. Não é agora que eu vou desistir. Quando entrei na cidade, uma injeção de ânimo: os nativos começaram a correr comigo e me incentivar. O que eu estava sentindo mesmo??? Neste momento, me emocionei! Cheguei! E cheguei muito bem. Encontrei alguns amigos X e ficamos esperando os outros. Só emoção!
      
E o melhor, o day after, foi maravilhoso! Sem dores! Obrigada Dr. Victor Hugo e Nirley por toda a preparação! Fez toda diferença!

Ética na corrida - No dia após a corrida, conversando com alguns corredores, fiquei sabendo a existência de um caminhão que percorreu a maratona. Após 30 km, eles ofereceram uma espécie de “carona” para os maratonistas que estavam muito atrás. Vários corredores “pegaram uma caroninha” e chegaram juntamente com os guerreiros que fizeram a maratona completa. 

Será que e ético um caminhão em uma corrida? Acho que numa corrida como essa, até que poderia ter um caminhão para resgatar quem não deu conta, pediu arrego! Só não acho justo essas pessoas terem o tempo registrado como se tivesse feito a corrida toda! Colocaria a  pergunta nesse sentido, é justo essas pessoas terem o tempo registrado, na frente de muitas outras que sofreram para completar toda a prova correndo?"

Festa das mulheres da Equipe X

Grace Ghesti

domingo, 24 de março de 2013

63ª CORRIDA SEM COMPROMISSO - 15K EM ÁGUAS CLARAS



E aí, Corredor?!

A estrada é o desafio e o horizonte é a meta. Este é o grande lema que impulsiona o corredor para o seu destino, correr. 

Hoje parece que estava ouvindo esta frase "martelando" em minha cabeça durante toda a manhã. Acordei sem nenhuma vontade de calçar o tênis e encarar o asfalto (a estrada e o horizonte). Rolei pela cama durante a manhã mas acabei vencendo o comodismo e pulei da cama. Me arrumei lentamente para encarar o desafio de hoje, que eu nem sabia qual seria. Iria criar meu percurso correndo. Estava meio que sem destino mesmo. 

Mas, às 8h - tinha acordado às 6h30 da manhã - lá estava eu, todo paramentado de corredor, para fazer o que Deus quisesse que eu fizesse. Acabei fazendo um treino, digamos, caseiro. Corri saindo de casa, como tenho feito nos últimos finais de semana, e corri pela ciclovia do Park Way e Arniqueiras, já bem conhecida e por isso mais desafiante ainda, já que, sabendo das dificuldades, teria que lutar contra as "sabotagens" mentais.

O percurso - Os primeiros 2 km eram de descida, saindo de casa até encontrar a pista da ciclovia, tudo no asfalto e, pequenas partes, na calçada. A descida é forte, mas comecei bem lentamente para tentar manter o ritmo. Aliás, se tinha uma coisa que queria fazer era controlar meu ritmo para não ter muitas variações, já objetivando a Maratona de julho, no Rio de Janeiro.

Na ciclovia, o percurso, todo em asfalto, possui variações constantes. Não tem monotonia, trechos planos. Só subidas e descidas. Leves, intensas, rápidas, longas e curtas. Para todos os gostos. No quilômetro 5, sentido Águas Claras - EPNB, uma subida de quase 2k de distância, a mais longa. Mas para mim não é a mais complicada, por que na volta tem a que apelidei de "subida dos eucaliptos", que judia bastante.

Venci as duas. Aliás, venci todo o percurso, mesmo tendo saído de casa com tanta vontade de não sair inicialmente. E, como não poderia deixar de ser, o longão tornou-se um prazeroso passeio. Tanto que a subida final, aquela mesmo dentro de Águas Claras que era uma descida e ia até em casa, fui tranquilo, descansado. 

O ritmo tentei manter na zona dos 5 a 5:59min/km. Minha intenção era não baixar para menos de 5min/km ben ficar mais que 5:59min/km. Na maior parte do percurso consegui, mas em alguns pequenos trechos fui acima dos 5min/km, como na "subida dos eucaliptos", e em outros abaixo, como no descidão de quase 2k, na volta para casa.

Mas, no geral, mantive o ritmo bem como queria, buscando fazer o mesmo pace que fiz ano passado, quando treinava para a Maratona do Rio.

Resultado - No meio da corrida defini a distância. Iria correr 15 km. E deu certinho pelo percurso que corri, saindo de casa, indo pela ciclovia até a entrada da EPNB e voltando para casa. Terminei isso em 1h26, com ritmo médio 5:45min/km.

Férias - No próximo final de semana, descanso geral. Ficarei duas semanas de férias, mas vou correr, no caso a minha 4ª corrida oficial do ano, a Golden Four Asics do Rio, já que estarei lá visitando a cidade maravilhosa. E o bom é que alguns amigos da Equipe X estarão por lá. Serão 21,1 km, uma meia maratona, utilizando parte do percurso que temos na Maratona, só que no sentido contrário, já que saímos de São Conrado e vamos em direção ao Recreio dos Bandeirantes. A Maratona começa no Recreio e passa por São Conrado.

Boas passadas e vamos que vamos por que as corridas só aumentam e tem muita prova boa pelo Brasil e mundo afora, seja no asfalto, trilha ou montanha.

sábado, 23 de março de 2013

CORREDOR BRASILEIRO GASTA COMO UM SUÍÇO NA COMPRA DO TÊNIS DE CORRIDA

E aí, Corredor?!

Pois é. Segundo pesquisa realizada pela empresa GfK, quarta maior instituto de pesquisa do mundo, o brasileiro gasta como um suíço na hora de comprar um tênis de corrida. Isso seria ótimo se a renda per capita dos dois países fossem equivalentes, mas não é o caso. A renda anual per capita do brasileiro, de pouco mais que US$ 11 mil, é cinco vezes menor que a de um cidadão da Suíço.

A pesquisa mostra que o brasileiro gasta em média US$ 120 com tênis, padrão semelhante ao do suíço, que despende pouco mais de US$ 140. o mercado nacional se aproxima do suíço também no segmento de luxo. A pesquisa revela que 10% dos consumidores brasileiros compram modelos acima de US$ 150, padrão próximo ao do país europeu, onde o índice é de 18%.

Ou seja, o brasileiro gasta mesmo sabendo que está pagando mais do que deveria, pela sua renda per capita. Essa tendência não é seguida, por exemplo, no Chile, país vizinho, nem na África do Sul, que entrou na pesquisa por ter sido palco da última Copa do Mundo, em 2010.

Mercado de corrida no Brasil - As corridas de rua movimentam no Brasil cerca de R$ 3 bilhões ao ano, com taxa de crescimento anual de 20%.

Com 730 provas de rua, que atraem 4,5 milhões de adeptos, o mercado brasileiro de tênis para corridas é dominado pelas marcas internacionais. Mesmo com impostos de 35% (limite do permitido pela Organização Mundial do Comércio) e de US$ 13,95 sobre pares chineses, as marcas internacionais são líderes na categoria de alto desempenho, com 85% das vendas, contra 15% das nacionais.

Comparativo - A pesquisa da GfK fez uma comparação entre o mercado de tênis de corridas do Brasil, Suíça, Chile e África do Sul. Enquanto os chilenos gastam entre US$ 50 e US$ 60, o brasileiro gasta, por que quer, entre US$ 110 e US$ 120, só perdendo para os suíços, e por pouco, que gastam em média, mas de US$ 140 para comprar um par de tênis para correr. Mas, relembrando, os europeus têm a renda anual per capita de US$ 55 mil enquanto o brasileiro de US$ 11 mil.

Enfim, realmente não adianta reclamar das sobretaxas. Elas estão aí, encarecendo os calçados, mas nós continuamos gastando do mesmo jeito e mantendo este milionário (e mercenário) mercado brasileiro de tênis de corridas, para citar apenas a nossa modalidade esportiva.

Alternativa - Para tentar escapar deste inflacionado mercado brasileiro, muitos amigos corredores que conheço usam com alternativa uma viagem ao exterior para comprar calçados, escapando dos preços estratosféricos praticados no nosso país. 

Claro, não precisamos comprar o último modelo, mas nos EUA ele, mesmo em dólar, é bem mais barato que no Brasil. Isso sem contar que muitas lojas, para atrair clientes, ainda dão a possibilidade ao comprador de, em comprado um, o outro que você quiser comprar fica 50% mais barato.

Foi isso que fiz neste início de ano, quando fui curtir a Meia Maratona da Disney. Eu e meus amigos corredores. Comprei todos os tênis do ano lá. Gastei R$ 600 (cerca de US$ 300) em 5 pares de tênis, alguns lançamentos, de diferentes marcas (New Balance, Asics, Adidas). 

Não quero dizer com isso que o corredor que esta tendência do brasileiro de comprar o mais caro seja errada. Sem dúvida, nosso esporte exige que usemos o melhor quando praticamos com frequência. Mas, repito, nem por isso acho necessário "alimentar" essa ganância dos fabricantes brasileiros, que não abrem mão de lucros exorbitantes.

Já comprei um tênis nacional, um Olimpikus, que usei durante uns 3 meses por ser um tênis de performance. Não era um tênis top e nem me passou confiança em adquirir outro, infelizmente. Continuo fiel às marcas importadas (Asics, Saucony, Adidas) por que me adaptei melhor a elas, mas evito a compra do lançamento ou de um tênis muito caro. 

Mas cada um tem o seu modo de pensar e agir. E respeito a decisão de cada um. Eu só quero fazer a minha parte, que gera resultados para mim, pelo menos. Tênis de corrida, se não tiver como comprar fora, tem que ser na promoção.

Boas passadas.

Fonte: IG Economia

segunda-feira, 18 de março de 2013

62ª CORRIDA SEM COMPROMISSO - ÁGUAS CLARAS - ESPLANADA

Correndo pela EPTG
E aí, Corredor?!

Mais uma corrida de aventura! Mais uma Corrida Sem Compromisso para o currículo! Enquanto uma boa parte da galera da Equipe X, com que dividi os últimos longões desde que voltamos dos Lençóis Maranhenses no Carnaval, nós (eu, Aline e Nirley) resolvemos manter "a pegada" e continuar no longão.

O percurso, mas uma vez desenhado pela Aline, consistia em ir de Águas Claras, bairro onde moramos, até a Esplanada dos Ministérios, onde aconteceria a primeira etapa do Circuito das Estações da Adidas de 2013. 

Aí, tivemos uma idéia diferente: cada um sairia de sua casa, sendo que Aline marcou de começar a correr 6h da manhã e eu, conforme combinamos, começaria às 6h20 tentando, assim, alcançar Aline no percurso, que seria o mesmo para os dois. Nirley entrou na brincadeira, mas fazendo o treino dele: 44km em homenagem a turma do Atacama.

A largada
Percurso - larguei de Águas Claras, do meu bloco e fui rumo a EPTG, estrada que liga o bairro ao Plano Piloto, passando pela EPVP. Na EPTG, desci até o Parque da Cidade (percurso que já tive oportunidade de fazer em outra ocasião) e de lá, peguei o Eixo Monumental até a Esplanada, chegando no ponto  onde foi a largada e chegada da corrida da Adidas, próximo ao Museu Nacional.

Se desse, ainda faríamos os 5k da prova, coisa que acabei desistindo, completando apenas a distância de uma Meia Maratona (21,1 km). Mas Aline, guerreira, fez todo o percurso, incluindo os 5k, num total de 25 km.

Correndo com o nascer do sol
Nirley, que me encontrou no caminho, seguiu rumo ao seu longão, os 44k, que teve o objetivo de homenagear cada um dos 22 amigos que estavam correndo no Atacama, dedicando 2k para cada um. 

Correndo à "caça" da Aline - a brincadeira seria, para mim, alcançar Aline pelo percurso. Por isso, ela saiu às 6h, um pouco mais cedo que eu, que era para ter saído 6h20 mas, como não acordei a tempo, acabei atrasando e saindo às 6h30.

Eu não consegui alcançar Aline. Já achava meio difícil saindo com 20 minutos depois dela, mas com 30 minutos a meta ficou impossível, isso por que sei que ela corre muito. Só conseguiria se ela parasse para repor as energias em algum ponto, o que não aconteceu. E foi com muito orgulho que encontrei Aline feliz no final, tendo conseguido fazer um excelente longão, correndo 25 km redondos.

Nirley me encontrou nos 18 km
Nirley tinha o objetivo de alcançar a mim e a Aline. Na Esplanada, próximo a Torre de TV, ele me alcançou. Sua largada, também de Águas Claras, foi 6min depois da minha (6h36) e, como o mestre corre muito, me alcançou bem. E foi muito legal quando ele me viu e a gente correu junto até a Esplanada, de onde ele partiu para o restante da sua "prova" e eu fiquei, para completar os 21,1k.

Aventura - foi uma corrida tranquila, mas nem por isso deixou de ser tensa. Para mim, o grande problema foi na EPTG, que mesmo às 6h40 de um domingo estava bem movimentada. Nela corri na faixa exclusiva para ônibus e táxi, um percurso revestido de cimento e mais duro que o asfalto. Mas o pior mesmo era quando vinha um ônibus, sempre rápido, fazendo com que eu "pulasse" para o gramado ao lado, extremamente irregular e difícil de correr. O bom foi que os 7k de EPTG passou rápido, por que a tensão e a concentração era tanta que nem vi os quilômetros passarem.

Saída do Parque da Cidade - 16k
No Parque da Cidade, resolvi correr na grama que margeia a pista para os carros. Um terreno mas macio, com menos impacto, mas pesado. A passada era mais difícil que no asfalto. Sofri um pouquinho na subidinha até a saída do Parque, de cerca de 3k. 

No Eixo Monumental uma boa surpresa: uma de suas faixas estava protegida por cones, colocados pelo Detran. Não sei por que fizeram aquilo, mas achei ótimo, por que pude correr no asfalto até a Torre de TV, evitando mais grama ou calçada (cimento).

Chegando na Esplanada o psicológico bateu e, depois de passar pelo ponto da largada da corrida da Adidas, olhei para o relógio e resolvi ficar nos 21,1k, distância de uma meia maratona, desistindo de fazer os 5k que pensamos em fazer no início. 

Depois, alongamento, encontrar os amigos que fizeram a prova e esperar Aline, que em encontrou no local da "festa" da Adidas para irmos embora, de metrô.

Catedral, um dos cartões postais
que vimos pelo caminho
Conversando com Aline, percebemos que acabamos fazendo o percurso igualzinho, só que ela foi até os 25k e eu fiz 4k a menos. Ela chegou a Esplanada exatamente na hora da largada e entrou no meio da "muvuca" de 5 mil corredores que estavam inscritos. "Pilhada" pela excelente performance do longão até ali, pela galera correndo e pela energia de sobra, saiu correndo até completar a distância que queria.

Seu ponto crítico também foi a EPTG e também o Parque da Cidade, no caso por conta de estar sozinha e o Parque ainda esta meio vazio no horário que ela passou por ali. Mas correu tudo bem e ela pode comemorar sua maior distância percorrida até hoje.

Um ótimo treino, uma corrida das melhores e mais uma aventura e desafio superados. Rumo a minha 3ª Maratona carioca!

Boas passadas.
Tentei mas só encontrei Aline no
final, quando fomos embora de
metrô (só alegria dos dois)


quarta-feira, 13 de março de 2013

MOUTAIN DO DESERTO DO ATACAMA

E aí, Corredor?!

Neste domingo, 17 de março, acontece a segunda edição de uma das mas difíceis maratonas do planeta, a Moutain Do Deserto do Atacama, no Chile. 

Serão 300 participantes que correrão em um dos locais mais inóspitos do mundo, com temperaturas que no deserto variam de 0ºC à noite a 40ºC durante o dia e uma altitude de 2400 metros acima do nível do mar, sendo o deserto mais seco da terra.

Tive o prazer de treinar com alguns amigos que farão parte do desafio deste ano. Corri com esta guerreira turma nos Lençóis Maranhenses e em outros longões que aconteceram em vários locais do Distrito Federal, terminando no último, no domingo passado, dia 10, no Altiplano Leste.

Nirley, Nati, Eduardo, Thaís, Leila, Rafael, Sérgio, Silvio, Gracie, Gutemberg, Rinaldo, Gislene, Severina, Nilson, Sueli, Orion, Marta são alguns dos amigos que treinaram forte e, tenho certeza, estão preparados para fazer bem a prova. Mas eles sabem, não será nada fácil, o que vai tornar a conquista mais gostosa ainda.

San Pedro do Atacama, local da largada e chegada
Deserto do Atacama - o deserto do Atacama está localizado na região norte do Chile e vai até a fronteira com o Peru. Com cerca de 1000 km de extensão, é considerado o deserto mais alto e mais árido do mundo, pois chove pouco na região.

Em função das condições inóspitas, existem poucas cidades e vilas no deserto sendo a mais conhecida San Pedro de Atacama, que tem pouco mais de 3 mil habitantes e está a 2.400 metros de altitude.

O deserto do Atacama é o lugar da terra que passou mais tempo sem presenciar chuvas, sendo registrados 1.400 anos sem indícios de precipitações pluviométricas. No entanto, a região apresenta alguns lagos com água quase o ano todo. 

A corrida - O Mountain Do Deserto do Atacama teve sua primeira edição ano passado e este ano acontece pela segunda vez. As inscrições, com valor de US$ 98 e US$ 328, é limitada a 300 participantes. Serão realizados, este ano, a Maratona de 42,195 km, e a prova de 23 km (inscrição de US$ 328) e a corrida de 5 km (inscrição de US$ 98).

O local da largada e chegada é San Pedro de Atacama. O percurso da Maratona prevê terreno variado - 5k de asfalto, 2k de dunas, 30k de estrada de chão, 3k de trilha e 2k de areia.

Equipe X - Alguns guerreiros da Equipe X irão encarar o desafio do Mountain Do Deserto do Atacama. O treinamento deles começou já no início do ano, com vários longões sendo realizados bem como treinos específicos de força.

Participei com a turma de alguns treinos, onde Nirley preparou terrenos bem variados para eles já irem se ambientando. Foram longões de 15 a 33 km em asfalto, trilha, dunas. Até aos Lençóis Maranhenses nós fomos para encarar as grandes dunas do local. E enfrentamos terrenos de trilha com um calor infernal, encarando ainda subidas que até para carro são difíceis, como a da EPTG.

Estão todos preparados e prontos para vencer o desafio, conscientes do que podem e vão fazer. Não é uma corrida fácil, eles sabem. E sabem também que o principal inimigo será o psicológico, por que o físico está 100%.

Na maratona, teremos Nirley, Eduardo, Silvio, Gutemberg, Rinaldo e a única representante feminino, Leila, que escolheu justamente esta prova para estrear na distância. Para fazer os 23k, não menos difícil, sei que vão Sueli, Nati, Gislene, Sergio, Rafael, Gracie, Thaís, Orion, Marta e Nilson.

Voltarão, tenho certeza, com muitas histórias e vitoriosos, felizes pela realização. Afinal, vencer o deserto não é para qualquer um não.

Boas passadas amigos e estou louco pela volta para ouvir suas histórias de corrida.