quarta-feira, 21 de julho de 2010

EU VENCI! - UM POST MAIS EMOCIONADO

E aí, corredor?!

A Maratona Internacional Caixa da Cidade do Rio de Janeiro realmente foi um marco para mim como corredor. Nada será como antes depois de vencer os mais de 42km da prova e depois de ficar mais de 4h correndo pela linda paisagem carioca.

Aí hoje, ao comentar com uma amiga, carioca e moradora do Rio - Mônica - sobre a corrida, a qual intitulei como uma epopéia, percebi que este depoimento de hoje ficou mais emocionante. E por isso, resolvi postar aqui no E AÍ CORREDOR este depoimento.

Maratona Internacional do Rio de Janeiro 2010  - Eu Venci ! Versão 2.

Cheguei sexta à noite, com aquela chuvinha chata (garoa paulista no Rio, ô meu!) e no dia seguinte peguei o metrô pra pegar o kit junto com Jane e Ranieri, amigos inseparáveis no Rio. Saímos da Arco Verde para a Estácio. Lá, tudo lotado. Todos os participantes parecem que chegaram sexta à noite e foram pegar o kit naquele dia. Mas a distribuição estava rápida e o espaço cheio de atrações. Ficou legal. Encontrei minhas amigas do marketing e as elogiei pela boa organização.

 
Bom, depois saí para almoçar com a turma. Pegamos o metrô e descemos na Siqueira Campos por que eu, acostumado a ir para o Rio mas sempre com Deborah, meu "GPS natural", não sabia exatamente onde ficavam os restaurantes maneiros por que sempre contei com ela para achá-los. Aí, sabia que em Copa tinham vários e resolvi descer com a galera na Siqueira e ir em direção à praia. Até por que a gente não queria ir pra muito longe pra não se cansar já que íamos correr a maratona ou a meia maratona pela primeira vez.
 
Almoçamos e voltamos ao hotel para um descanso. À noite, levei Jane e Ranieri para comer o famoso sanduíche de Pernil com queijo e abacaxi do Cervantes, já que o almoço tinha sido farto. E a chuva constante. A garoinha e o friozinho insistente.
 
Aí chegou o grande dia. Tínhamos que acordar às 4h30 da manhã para tomar o café do manhã e ir para a largada. Duas vans levaram-nos para a largada da meia na Barra, já perto da subida para o Elevado do Joá, que ia ser 7h da manhã e acabou acontecendo às 7h20 - por causa da Globo - e para a largada da Maratona, no Recreio, praça Tim Maia, Macumba, lá no comecinho da praia, com horário previsto para às 7h30 e que realmente aconteceu.
 
Clima: nublado, muito vento, mas não tava frio não. Tudo perfeito para cumprir os 42,195k da prova, pelo menos para nós amadores.
 
E lá fomos nós, às 7h30, rumo ao Aterro do Flamengo. Primeiro corremos 1,5k para dentro do Recreio e depois voltamos esta distância até o ponto de onde largamos e, aí sim, rumo ao Aterro. A ansiedade era enorme e a adrenalina estava à mil por que era a minha primeira maratona e eu não sabia o que ia acontecer e se iria conseguir cumprir o percurso.
 
Comigo estavam dois amigos da equipe, o professor Nirley e o Jailto, que vc conhece daquela época que vc esteve com a gente mas não sei se vc se lembra. E encontrei alguns outros malucos de Brasília, corredores, que estavam por lá também.
 
E então corremos - eu, Nirley e Jailto - juntos até o km 13, já na Reserva, quando os dois dispararam e eu resolvi me conter. Eles já haviam corrido grandes distâncias antes em outras provas e são os "top top" da equipe. Não podia acompanhá-los por que não conhecia este lance de correr mais do que 1h direto (participei de 3 meias maratonas e o maior tempo que fiquei correndo foi 1h57).
 
Aí, corri, pensando na vida, ouvindo o playlist do meu ipod e olhando para o mar e o caminho. É engraçado como a corrida me faz pensar, refletir sobre minha vida. Estava passando por um momento meio conturbado na minha vida, e todo o filme daquilo que passei estava sendo reprisado na minha cabeça, a cada passada. Depois de ficar olhando o mar, correr é a melhor psicologia para mim.
 
E passei a Reserva, cheguei na Barra, onde tínhamos meia pista. Lá, uma dificuldade: muita poças grandes de água por causa da chuva da manhã, o que nos fez correr na ciclovia para evitar molhar o tênis, pois isto poderia prejudicar nosso desenvolvimento na corrida. Isso, no final, acarretou no aumento da distância da prova para mim. Estava com meu relógio com GPS e a quilometragem final foi de 43,99 km (é mole!). Bem que vi, também, que tinha alguma coisa errada entre as distâncias aferidas de uma placa de sinalização para outra.
 
E sobre o Elevado. Uma visão incrível, mesmo com o tempo nublado: o mar e as praias da zona sul e toda a orla da região. Muito legal. Teve gente que parou de correr só pra tirar fotos. E no caminho, muita água e, em alguns pontos, música para animar a gente.
 
Na descida, já em São Conrado, já tinha gente desistindo. Nisso já passávamos dos 21k (meia maratona). E estávamos próximos do trecho de maior dificuldade, a subida de 3km da Niemayer. Aliás, tanto no Elevado como na Niemayer a pista inclinada para água escorrer mais fácil para os dutos que levam ela para o mar prejudicou muito as passadas e resultou em dores fortes na paturrilha que senti já em Ipanema.
 
Na Niemayer ultrapassei o chamado "muro dos 30", mito entre os maratonistas, que comprovei. Os relatos da galera que já enfrentou uma maratona sempre dizem que no km 30 é que muita gente quebra. E eu realmente vi muito corredor parar e ser socorrido. Passou dali, o final fica mais tranquilo. E eu passei, já sentindo as dores da panturrilha direita e com medo daquilo aumentar e eu quebrar.
 
No Leblon, depois de passar por muita gente andando, as dores ficaram quase insuportáveis e tive que reduzir o ritmo para não parar. Tomei o gel, isotônico, água e fui seguindo. Isso já eram mais de 3h de corrida. Quando estava já em Copa, no km 36, a perna direita travou e simplesmente não me obedecia mais. Pensei na cena daquela maratonista da Suíça, em uma olimpíada (não me recordo o nome dela agora). A perna parecia estar torta e não voltava para o lugar. E faltavam 6k. Ou seja, não ia parar mesmo e ia cumprir os 6k que faltavam nem que chegasse arrastado.
 
Me estiquei um pouco, andei rápido, conforme orientação do treinador ("- Nada de andar devagar. Tem que ser rápido, quase uma marcha atlética."). E deu certo. A dor passou um pouco e eu voltei a correr uns 2 minutos depois, mas reduzi ainda mais o ritmo e fazer 1km parecia uma eternidade.
 
Mas no final, 4h11 depois, cruzei a linha de chegada, emocionado, realizado. É uma conquista que transforma a gente mesmo. Uma superação e tanto. O corpo fica lá "gritando" pra gente: "- Para maluco! Olha o que vc tá fazendo comigo!" .
 
E a gente lá, insistindo. E quando chega, depois de todo o sacrifício, depois de ver tanta gente quebrar, quase chora. Acho que as lágrimas só não saíram por que a água do corpo foi deixada pra trás, na corrida (rsrsrsrs).
 
Foi demais. Tô ainda meio em extâse, sabe. Sacrifício mas maneiro. E consegui. O que foi demais. Estava preparado para até pegar um táxi no meio do caminho se fosse preciso, ou mesmo chegar com mais de 4h30, sei lá. E consegui vencer, correndo quase tudo, exceto pelo 2 minutos, cerca de 100 metros da "marcha atlética". E no final, olhei no relógio e vi que tinha corrido nada mais nada menos que 43,99 km. Acho que os motivos foram o percurso na ciclovia, na Barra, os zigue-zagues na pista para desviar dos atletas mais lentos. O fato é que o meu GPS aferiu esta marca, o que tornou a vitória ainda mais significativa. Muito doido ! ! ! 
 
E foi assim.

Boas passadas.

3 comentários:

Alessandra disse...

Cara, realmente este post tem mais cor, mais coração.
Mas, vc tem assunto para algumas semanas: fotos, a semana pós maratona, confrontar o q falam e escrevem sobre a maratona e a sua experiência,...vixi, tem muita coisa pra compartilhar.
Durante a corrida tb penso sobre os problemas e soluções, sobre planejamento de trabalho e outras amenidades...Agora,4 horas de corrida, dá pra pensar pra caramba...rrss!

Caique (Carlos Henrique) disse...

Pois é, Alessandra

Deu pra refletir demais na vida. tanto que depois a gente termina outra pessoa mesmo. E não é fundo poético não, é na real.
Eu queria compartilha fotos, mas não levei máquina e tenho que sair procurando pra ver se acho fotos minhas na prova. Vou ver se consigo que colegas que fizeram sua estréia na meia fazem seus relatos também.
Enfim, pura emoção.

Roberto Poton disse...

Olá Caique, belo depoimento!! Passou um filme em minha cabeça ao ler esse post. Uma vez que, estou treinando para enfrentar minha primeira maratona em agosto de 2013. Já me imaginei passar por tudo o que você relatou, com certeza não foi fácil, e não será para mim também. Atualmente iniciei os treinos com a corrida visando esse objetivo, até montei um blog para compartilhar as dificuldades e conquistas diárias. dê uma olhada...
http://desafiodos42km.blogspot.com.br/
Espero cumprir com o desafio! E poder relatar com muita emoção esta conquista!
Confesso que este seu depoimento me deu mais energia! Forte abraço corredor, bons treinos, boa sorte e até mais...