terça-feira, 9 de julho de 2013

VENCI MAIS UMA MARATONA

E aí, Corredor?!

Rio de Janeiro, 7 de julho de 2013. Um sol ameno anunciava a alvorada na cidade maravilhosa. Eram 7h30 da manhã, quando começou a aventura de participar de mais uma Maratona Internacional do Rio de Janeiro.

A Maratona de 2013 foi, com certeza, a mais carioca de todas as que fiz. Um belo dia de sol embelezava a paisagem pelo percurso e era impossível não ficar extasiado pelas belezas que se mostravam a cada quilômetro vencido. No Elevado do Joá e na Avenida Niemayer vi vários corredores parando para tirar fotos do mar e das praias, registrando aquele momento tão especial e único.

Mas a corrida este ano me reservou algumas surpresas, que aconteceram bem antes de começar a vencer os 42,195 KM da prova. Ainda em abril um esporão calcâneo apareceu, trazendo dores agudas no tornozelo direito e comprometendo os treinos desde o início, primeiro, adiando o meu início nos longões específicos para a prova e depois, fazendo com que eu mudasse completamente minha mecânica de corrida durante os outros longões que fiz.

Só que no dia da prova a lesão não foi o pior dos obstáculos. Tudo bem que, por consequência dela, fiquei receoso demais, terminando por fazer uma prova bem conservadora, sem querer correr riscos. O único risco que cometi foi experimentar, no dia da prova, uma suplementação nova, o que trouxe resultados catastróficos no decorrer da corrida. E ainda, para completar, larguei muito atrás, passando pelo pórtico com quase 4 minutos de atraso, o que resultou num início de prova com pista cheia e ritmo muito mais lento que o planejado.

Em 2012, meu melhor resultado na Maratona, 3h41 de prova
Histórico - O Rio de Janeiro foi o palco das minhas duas outras Maratonas. A primeira, em 2010, que corri sem treinamento específico e acabei fazendo meio "na louca" mesmo. O resultado foi terminar a prova trotando os últimos 6K devido a uma forte contratura na panturrilha que quase me impediu de completar a prova. Mas fiz, na raça, completando em 4h11 os 42,195 KM.

Ano passado, 2012, a melhor corrida que já fiz até hoje, perfeita em todos os aspectos. Cheguei ao Rio bem treinado, confiante e com uma estratégia definida para completar o percurso. Meu único objetivo era fazer em menos de 4h. Para isso, fiz todos os treinos necessários - academia de duas a três vezes por semana e, a partir de abril, longões pelas ruas de Brasília, com o acréscimo gradual da distância, tudo acompanhado pelo amigo e professor Nirley. O resultado foi uma prova, para os meus padrões, impecável, sem sentir nada de dor nem cansaço, perfeita em todos os sentidos e com um tempo total de 3h41.

Em ambas, o frio inverno de julho tinha chegado à cidade, e corremos sob um tempo nublado, com chuva, e pista molhada, algo bem diferente do que viria a acontecer na Maratona deste ano, 2013.


Cerca de 7 mil participantes correram a Maratona do RIo este ano
Maratona de 2013 - Vários obstáculos comprometeram um desempenho melhor que 2012 para a Maratona deste ano. O primeiro deles foi o aparecimento de uma lesão. Logo no início de abril, quando os treinos deveriam começar, surgiu, depois de correr uma Meia Maratona - a Golden Four no Rio -  uma dor aguda no tornozelo direito, que não parava nem depois de um repouso. Depois de uma consulta médica o diagnóstico: estava com um famigerado esporão calcâneo, o que me comprometeu as duas semanas seguintes de treinamento. 

Depois de 10 sessões de fisioterapia e de várias dicas de alongamento, a dor retrocedeu mas não acabou de vez. Tive que mudar minha mecânica, alterando demais minha pisada e corri os longões sempre desconfiado, com uma pequena dorzinha me acompanhando e me deixando desconfiado. Mas, depois do longão de mais de 30K, resolvi que dava para encarar, mesmo sob o efeito da lesão.

No dia da prova porém o receio da lesão me quebrar me tirou um pouco a razão e, antes mesmo da largada, já comprometi toda a minha estratégia. De cara, larguei atrasado demais, passando pelo pórtico com quase 4 minutos do apito inicial. O resultado foi encarar os primeiros 3 KM no recreio de pista cheia de corredores e tendo que correr num ritmo bem mais lento do que planejava para o início.

Em Ipanema, por volta do 33º KM
Depois, buscando uma melhor performance, resolvi experimentar uma suplementação diferente que acabou resultando em fortes dores de barriga durante a prova e uma necessária parada em um banheiro no meio da corrida. Um erro amador, pois, mesmo que o suplemento estivesse dando resultado para outros amigos, não foi no dia da prova que eles o experimentaram como eu fiz. Um grande e total "vacilo" meu.

E ainda tinha o esporão, que trouxe reflexos bem mais cedo do que eu esperava na prova. Antes mesmo de completar os 21K,  comecei a sofrer as consequências de treinar sob seu efeito. Como estava compensando demais com a perna esquerda para sentir menos o impacto na direita, onde a lesão me afetava, uma dorzinha leve apareceu na panturrilha, o que me assustou por ser ainda tão cedo. Todo o trauma de 2010, quando comecei a sentir dores na panturrilha que mais tarde se transformaram numa contratura e quase me tiraram da prova, voltou a me atormentar, e aí passei a fazer uma corrida bem conservadora, num ritmo mais lento do que havia planejado e com algumas paradas nos postos de hidratação para um rápido alongamento, que fazia tanta para a panturrilha quanto para o calcanhar lesionado.

Este coquetel de confusões - largada atrasado, trânsito excessivo no início, parada para o banheiro, dor na panturrilha, esporão - evidentemente comprometeu meu desempenho. Se em 2012 fiz os mais de 42 KM em 3h41, chegando inteiro e comemorando, neste ano (2013) terminei em 4h09 o percurso (4h04 se desconsiderarmos a parada no meio da prova no banheiro).

Mas mesmo assim gostei do resultado. Afinal, diante de tantos problemas, consegui terminar a minha terceira Maratona, imprimindo um sprint nos 500 metros finais e sabendo que podia, mesmo com tudo isso, ter feito uma prova melhor. E ainda pude correr mais relaxado, apreciando a paisagem que o percurso proporcionava, ainda mais bonita pelo sol. 

Amigos - Se este foi o ano com recorde de participantes na Maratona do Rio, que teve cerca de 7 mil atletas, mais que o dobro do ano passado, também foi o recorde de participantes na modalidade de amigos da Equipe X.

O mais importante para fazer uma Maratona: a companhia dos amigos

Em 2010 apenas 3 valentes guerreiros fizeram a prova, número que aumentou em 2012, com 9 participantes. Já este ano, 12 pessoas encararam os 42,195K. Além de mim, também correram a distância Rafael, Sérgio, Thaís, Susete, Paulinho, Chamon - que correram também em 2012 - Gislene, Nati, Grace, Matheus e Conceição. 

Vale lembrar que a Equipe X também teve participantes na Meia Maratona e na Family Run.

Retirada do kit foi rápida apesar do grande número de pessoas
Organização - A Maratona Internacional Caixa Cidade do Rio de Janeiro de 2013 não perdeu em qualidade para a do ano passado. A única falha foi a mudança do local de entrega do kit para um ambiente mais apertado e sem tantas atrações como em 2012. De resto, o kit estava no padrão, a medalha ficou mais bonita e a prova foi muito bem organizada, mais até que nos outros anos que corri.

Postos de hidratação foram colocados a cada 3,5 KM. Apenas do primeiro para o segundo senti uma demora maior, mas que não comprometeu demais. E a cada 7K, fartura de isotônico, servido num prático saquinho que ajudava na hora de beber, evitando da gente se melar.

Conclusão - Quem corre tem que encarar um dia uma Maratona! A experiência é indescritível e a sensação de vitória é fantástica. Não é fácil superar os mais de 42 KM, complicação que já vem dos treinos, com longões que chegam a tirar a gente do convívio social.

Por isso é que cruzar a linha de chegada, mesmo que 7 horas depois, é emocionante e não são poucos os que chegam aos prantos, homens e mulheres. Só conhece quem encara e vence o desafio. Isso pude perceber pela minha experiência pessoal e pela conversa com os amigos que conseguiram realizar o feito em cada um dos anos que participei junto com eles.

Recomendo: se você corre, planeje uma Maratona, nem que seja só uma, para fazer se ainda não fez. 

Boas passadas.
Na chegada, emoção tão intensa quanto das outras duas Maratonas já realizadas

4 comentários:

ivana. disse...

Parabéns pela garra, amigo !! O dia estava quente, né, prejudicando os corredores. És GUERREIRO. Meu carinho.

Luiz Souza disse...

Muito maneiro Caíque
Estou me vendo numa parte do seu post.
Era para eu estar com todo o gás para minha estrei na maratona, mas um inc^modo no joelho está me afastando dos treinos e a cada dia a maratona fica mais distante.
Parabéns pr ter vencido
ABraços

Caique (Carlos Henrique) disse...

Ivana, Luiz,
Obrigado pelo apoio. Realmente, as surpresas foram muitas mas, de um jeito ou de outro, o desafio foi vencido mais uma vez. É uma prova mágica realmente esta tal de Maratona, e eu recomendo correr a do Rio, com sol mesmo, por que o Rio fica com cara de Rio. As dificuldades são minimizadas pela beleza da paisagem pelo caminho.
Luís, lesões existem mas com paciência e disciplina, a gente consegue melhorar sim. Torço por você, corredor!
Boas passadas.

Danilo Confessor disse...

Olá Caique, lendo seus últimos posts percebi que não tinha comentado justamente nesse relato, acho que tinha lido no celular e deixado para comentar depois.
Cara parabéns, você é um guerreiro. Com tantas surpresas e dificuldades você ainda foi lá e conquistou os 42km e isso que importa, né.
Lendo seu relato minha vontade de estrear na maratona só aumenta.
Esse ano ainda tenho algumas provas alvo (Golden4Asics BSB e Circuito Caixa, por exemplo) e outras participativas, só para diversão ou treino (Meia de Buenos Aires, Mizuno 10miles), espero te ver em alguma dessas.

Abçs, e como vc fala, BOAS PASSADAS

Danilo Confessor