domingo, 2 de junho de 2013

K21 DE PIRENÓPOLIS. CORRIDA PARA NÃO ESQUECER

Começo da Subida do Frota, cerca de 3k de morro
E aí, Corredor?!

Sabe quando falei neste blog sobre as dificuldades das trilhas da Fazenda Taboquinha? Ou quando mencionei a terrível "Subida da Bundinha", no Altiplano Leste? E os 15 km superados em Florianópolis, na Volta da Ilha de 2011? Nada se compara a corrida que encarei neste sábado na pequena e turística cidade goiana de Pirenópolis. A K21 foi a corrida mais complicada que já superei.

Fui a Piri (como a cidade é carinhosamente apelidada) muita vezes para curtir a festa literária (Flipiri) ou a Cavalhada ou simplesmente as belas cachoeiras da cidade. Nunca pensei que um dia iria correr nesta trilhas íngremes da cidade. E foi isso que eu, e mais 599 malucos fizemos neste dia 01 de junho de 2013.

Todas as provas do circuito de corridas K21 são assim, em morros, em locais onde correr é um desafio dos mais complicados. Arraial do Cabo e Bombinhas são alguns exemplos. Sempre provas em trilhas, onde os corredores encaram uma corrida de aventura em sua essência, com desafios bem difíceis e que não são para os fracos ou despreparados.

Piri mostrou isso para gente neste sábado. Encarar os 13 km (K13) ou os 21 km (K21) foi um desafio para os fortes. Ao final da prova era comum ver pessoas mancando, chegando no último suspiro, no sacrifício, com cãibras na panturrilha, os pés doendo, chorando. A superação é extrema e vencer o desafio dá um sabor de vitória inexplicável mesmo.

Sobe Aline, sobe! Encarando o Frota com uma dor no pé danada
Percurso - Os organizadores não bobearam. Prometeram um percurso difícil e preparam o ânimo de todos para o que poderia vir. Muita subida, descidas difíceis cheias de pedras soltas e disfarçadas, travessia em riachos, lama, mato. Uma variação incrível de terrenos. O subíamos muito pelas trilhas ou descíamos muito por essas mesmas trilhas. Cerca de 90% do percurso é em trilha, afinal. Asfalto, na saída, na transição entre os 13 e 21k e na chegada dos 21k. O resto, terra e mato o tempo todo. E muito morro para subir e descer.

O percurso nos leva ao ponto mais alto da cidade, onde ficam as antenas de rádio e tv. Descemos ribanceiras segurando em corda, passamos por uma pedreira das famosas pedras de Pirenópolis, lindas, bonitas, mas no local que passamos soltas, cortantes onde cair era estrago grade na certa.

O estudo da altimetria já mostrava que o desafio era gigante mesmo. De cara, 3 km de morro com uma subida interminável, a chamada Subida do Frota. Pensei que ia tocar nas nuvens da nublada tarde de sábado. A largada foi as 14h, sob um tempo nublado e fresco, com leve ameaça de chuva no horizonte que, ainda bem e graças a Deus só caiu no final.

Aí, depois desta subida louca, descida onde correr muito não dava por que as pedras não deixavam. Um tombo era rasgar a perna e algo mais na certa. E tínhamos que ter olhares atentos não só para o chão como para os galhos, já que entramos no meio de mata fechada.

Passamos pela antenas e o visual deslumbrante do vale apareceu e me lembrou que tínhamos que descer aquilo tudo para acabarmos a corrida. E foi uma descida emocionante, difícil, cheia de cuidado.

Depois da trilha, um pouco de asfalto e rua de pedras do calçamento irregular da cidade. Passamos por um passeio preparado para caminhada e depois, mais trilha. Destino: a pedreira de onde são extraídas as pedras de Pirenópolis. Só não achava que teria que passar pelo meio dela, tateando entre estas pedras soltas e cortantes que receberam o nome da cidade. Cair era um risco que não podíamos correr por que o estrago podia ser bem grande.

Grace levou medalha e troféu da prova. 
Chegar ao final foi emocionante mesmo. Depois de 2h32min de prova consegui, superando minha pequena dor (cada vez menor, graças a Deus) do esporão calcâneo, meu receio de me perder, o que se mostrou impossível pela excelente sinalização colocada pela organização. Cheguei, venci, agradeci a Deus pela vitória, pela coragem, por poder viver a aventura e fazer os 21 km, não ficando nos 13k como cheguei a cogitar. Prova realmente inesquecível. Mas estou me adiantando nesta história.

A Corrida - Minha corrida foi de desconfiança da minha real condição de fazer a prova completa, os 21 km. Só decidi mesmo na hora da transição, quando resolvi vira rumo a distância maior. Ali já eram 12k superados e achei que mais 9k não seriam problema. E não foram, só que também não foi nada simples.

Larguei mais atrás, para deixar os "feras" correrem na deles, na busca do pódio. E tinha muita gente boa correndo. Equipe de Brasília em sua maioria, mas tinha também de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e outros muitos lugares do Brasil. Eram 600 inscritos tentando superar os morros de Piri.

Na maioria dos morros, que eram muito, mas muito íngremes mesmo, não consegui correr, assim como todos os outros atletas que estavam próximos a mim. Tentei imprimir uma caminhada rápida, quase uma marcha atlética. E assim fui superando cada desafio. E já nos primeiros quilômetros já esta encharcado de suor, tal era a dificuldade do percurso.

Rafael e Thaís no início da prova
Mas fui seguindo meu rumo, conversando com minha pequena dor do esporão, administrando-a pelo percurso até que chegou num momento que ela simplesmente desapareceu. Vieram outras dores, de pé gelado depois de passar pelo riacho. Tudo superável.

Na descida da corda, quase caí, mas consegui me segurar e continuar minha corrida. Mas o local mais tenso mesmo foi a pedreira. Cair ali, como já mencionei, era acidente feio na certa. As pedras eram cortantes e estavam soltas, como o pessoal da organização avisava antes da gente começar a correr. E rola morro de pedras abaixo era um risco que eu não queria correr.

Cheguei feliz, ao lado do amigo Danilo, que conheci por meio do E AÍ CORREDOR. Cruzamos a linha de chegada juntos, eu com meu esporão e ele com cãibra e joelho doídos. Mas vencemos nossos desafios pessoais. Eu, superfeliz de ter encarado o desafio, que antes do início da prova pensei que nem ia encarar. E ali, comemorando as 2h32 como se fosse um recorde mundial. Foi minha primeira trilha pedreira, minha primeira prova oficial depois da lesão. E eu superei!!!

Depois, foi hora de esperar a turma. A galera X veio em bom número. Estávamos eu, Aline, Ivanilson, Thaís, Rafael, Grace, Sérgio, Alexandre, Nirley, Jacqueline, Dioneuda, Adaura, Paula, Kennedy, Sylvia. Ainda encontrei outros amigos como Danilo, o irmão do Orion (que, desculpe, esqueci o nome), Humberto, Lúcio, Sérgio Tepedino, Aninha Rovaris e outros tantos que fiz pelo caminho.

E comemorar a vitória pessoal da minha amiga Grace, que levou o troféu da sua categoria.

Galera X, mandando ver na K21 de Piri
Organização - O kit não foi dos melhores, mas a organização foi nota 9 pela excelente sinalização pelo percurso, com bandeiras e marcas de cal pelo chão, o pessoal indicando o caminhos nos pontos de cruzamento e os vários pontos de hidratação. A medalha muito bonita e o troféu também. Gostei!

Não sei se encaro outro desafio deste tipo, mas gostei da experiência de correr em trilhas, bem diferente do que correr no asfalto. Vencer este desafio me deu força para encarar a minha terceira maratona e confiança para perseguir esta conquista. 

E vamos que vamos que semana que vem tem Volta do Lago Caixa com o Condor Team da Equipe X!

Boas passadas.

6 comentários:

Danilo Confessor disse...

Ótimo relato Caique. Contou tudo, foi realmente uma prova casca grossa. Apesar das câimbras eu adorei. Valeu pela companhia durante boa parte da prova.
Enquanto não faço o meu post, divulguei o seu no facebook e no twitter =)
Boa prova para você na volta do lago. Eu estarei curtindo um frio na Meia de Floripa.

Abrçs

Danilo Confessor
Blog Confissões de um Confessor

ivana. disse...

Maravilha, amigo, parabéns pelo percurso e pelo relato. Beijo.

Sérgio disse...

Corrida Casca Grossa!!!!

Caique (Carlos Henrique) disse...

Grandes amigos corredores?!
Foi muito "casca" mesmo, Danilo e Sérgio. E ao mesmo tempo muito boa de fazer. Foi uma experiência bem diferente mesmo.
Galera, valeu pelos elogios. Acho que traduzi com mais emoção do que razão e por isso que ficou legal.
Boas passadas.

Kesley disse...

Ola!
Alguem sabe o nome da empresa organizadora do evento? Sei que tá longe, mas já procuro saber do evento para o próximo ano (2014), quando fiquei sabendo da corrida, não me inscrevi pois não havia mais vagas nas pousadas, aí acabei desistindo. Parabéns aos corredores.

MKS Esportes Mks disse...

Convido a todos a participarem da edição de 2014.

Com data marcada : 7 de junho - 8 horas

mais informações : www.21kpiri.com.br

Obrigado a todos.

Sergio Tostes
MKS ESPORTES