terça-feira, 13 de novembro de 2012

FADIGA MUSCULAR

E aí, Corredor?!


Você se programa para correr 12 km. Tudo bem, afinal, já percorreu distân­cias até maiores. Mas, aos 9 km, entretanto, você simplesmente para. Tudo por causa daquela sensação de “não dá mais”, que você não sabe explicar como te fez parar e é conhecida como fadiga.

E na teoria, ela é definida como a incapa­cidade na manutenção de determinada potência, e está ligada às alterações me­tabólicas que ocorrem durante o exercício físico, impedindo que as células do corpo trabalhem normalmente.

Inicialmente, os pesquisadores achavam que o grande vilão da fadiga muscular era o lactato. Quanto mais intenso o exercício, maior a existência do acido lático nos músculos e no sangue em de­corrência da deficiência de oxigênio. Com isso, a produção de energia é prejudicada e é necessário interromper o exercício.

Porém, com o passar dos anos, o lactato caiu em descrédito porque muitas vezes interrompe-se o exercício com concentrações relativa­mente baixas dele. Um estudo mostrou que a concentração de lactato ao fim de uma atividade física de intensidade máxi­ma em altitude era menor do que ao nível do mar o que, segundo o modelo inicial, deveria ser exatamente o contrário devido à deficiência de oxigênio quanto maior a altitude.

Um modelo recente sugere que a fadiga é “consciente”, ou seja, uma deci­são voluntária tomada em decorrência da exigência de esforço acima do normal. 

Já em outro artigo, autores mostram que o excesso de cálcio na célula pode contri­buir para a fadiga muscular e uma das ex­plicações dada é que, em exercícios prolonga­dos, a queda de PH diminui a sensibilidade das proteínas pelo cálcio, dificultando seu retorno para o retículo sarcoplasmático (reservatórios de cálcio). 

Quando são feitos tiros, por exemplo, a necessidade de produção de energia é muito alta. E, junto a isso, há liberação de hidrogênio. Quanto mais intenso o exercí­cio, maior a produção de hidrogênio e maior a acidez muscular. O problema é que a acidez desfavorece a atividade de enzimas fundamentais para a produção de energia.

No entanto, o organismo reage e alguns agentes entram em ação para neutralizar (ou consumir) o hidrogênio liberado, que está “sobrando”. Caso esses agentes não trabalhem corretamente, ou se sua con­centração não for suficiente, aí sim o or­ganismo interrompe a atividade.

Para se obter energia, as reservas iniciais de carboidratos são um fator-chave. Durante a corrida, uma boa opção é a ingestão perió­dica de bebidas à base de carboidratos. Já para evitar a fadiga crônica, a dica é cuidar da periodização, por isso, os atletas devem incluir sessões de treinamento regenerativo com baixo volume e intensidade. E para complementar, devem ser realiza­dos treinamentos anaeróbicos, com alta produção de lactato, para melhorar o de­sempenho geral na corrida, com treinos intervalados e repetitivos.

(Matéria completa publicada na Revista O2 nº71, março de 2009)

Um comentário:

Luiz Souza disse...

Olá Caíque.
Não sabia dessa reportagem.
Muito boa a informação e vou procurar me dedicar um pouco mais aos regenerativos.
Obrigadão mesmo.