quinta-feira, 28 de março de 2013

MOUNTAIN DO DESERTO DO ATACAMA - POR GRACE GHESTI

E aí, Corredor?!

Deserto do Atacama, um dos desafios mais radicais do mundo das corridas. E foi lá que no dia 17 de março de 2013 um intrépido grupo de corredores da Equipe X resolveu encarar uma prova muito difícil, o Mountain Do Deserto do Atacama. A Equipe teve atleta nas três modalidades da prova - 5k, 23k e Maratona (42,195k). Eles encararam o emocionante desafio, onde tudo era muito extremo: subidas radicais correndo em dunas que "engoliam" a perna até o joelho, cascalho, poeira, altitude, secura, frio e calor.

Grace, amiga da Equipe X que encarou os 23 km e com que pude dividir alguns treinos preparatórios para a prova, preparou, a meu pedido, um depoimento sobre o desafio. O texto emocionou mesmo e eu me senti lá, correndo emocionado pelo deserto. Preparem-se! É de arrepiar!

Mountain do Deserto do Atacama - Por Grace Ghesti

Grace e Sérgio (marido) no pódio após o triunfo
"Um desafio foi lançado em setembro de 2012 e, no dia 17 de março de 2013, foi cumprido com êxito! A corrida Moutain Do Deserto do Atacama, Chile! Uma das maratonas mais difíceis do planeta em função da altitude, variação de temperatura ao longo do percurso e baixa umidade relativa do ar. Não fiz a maratona, mas fiz 23 km. E, mesmo assim, a corrida pode ser resumida em uma palavra: sinistra!


Foram 6 meses de preparação em clima seco, com direito a alguns treinos off-roads, dentre eles: Arraias-TO, Lencois maranhenses - MA, fazenda Taboquinha - DF e Altiplano -DF. Além dos diversos longões por Brasília-DF. Obrigada Nirley Braz por todo treinamento e dedicação. Ver todos os corredores da Equipe X chegando emocionados e bem fisicamente, não tem preço!

A corrida - Uma corrida organizada por brasileiros no Atacama. Por toda a cidade, só tinha brasileiro. A grande maioria buscava e esperava a “maratona mais difícil da vida deles”. Depois, encontrei com vários, e eles me confirmaram...

Grace e Thaís
A prova passou por lugares nunca imagináveis. Eu acreditava que isso só era possível em filmes e desenhos. No deserto do Atacama a paisagem é única, imagina uma corrida??? Se não fosse a excelente organização, se perder seria muito fácil. A corrida passar por salares, vales, dunas de areia, montanhas de pedras vulcânicas, frio, calor, céu azul de sol brilhante sobre mais de 700 brasileiros, corredores amadores experientes e iniciantes, que dividiram comigo esse desafio extremo.

No dia 16, tivemos uma orientação sobre a prova e recebemos a grande notícia: o percurso havia sido modificado e estaria mais difícil.... A partir deste momento, eu só observava tensão nos olhos dos meus amigos corredores... Depois, fomos comer uma massa. Simplesmente, não havia mais massa na cidade! 

Detalhes do meu dia - No grande dia, acordei cedo. Tomei os suplementos indicados pelo Dr. Victor Hugo (Clínica Bionutris) e o café da manhã. No Brasil, costumo tomar cafeína para correr, mas no deserto a orientação era não tomar. Como seria o dia mais difícil da minha vida sem a minha querida cafeína??? Mas, agora não dava mais para desistir. Vesti toda a vestimenta para a “Guerra” e não tinha mais volta! A largada foi no meio da cidade, muito emocionante. Estava muito frio, 10°C. 

Garra e determinação foram o maior "combustível"
Em função disso, a organização deixou um caminhão aos 5,5 km para que pudéssemos jogar os nossos casacos, tomarmos água e seguirmos o nosso percurso. Até este momento, o trecho era em asfalto, com uma leve subida. Fomos até o Vale de la Luna, onde a corrida começou pra valer! Inicialmente, terreno irregular com várias duninhas. Subíamos e descíamos a cada 50m. No 8 km, um posto de Gatorade. 

Até aqui tranquilo. Não conseguia ver o restante do percurso, pois este posto estava em uma esquina. Depois de passar por ele, respirei fundo e pensei: Força! O desafio de verdade começou! Uma duna, com uma montanha irregular, criaram uma passagem bem estreita. Como estava bem, ultrapassei um monte de gente e fiz esse trecho muito bem. Não podia fazer feio, por isso segui correndo. Encontrei meus amigos “X” Thais e Rafael. O trecho tinha algumas subidas, o terreno era bastante irregular, mas a paisagem era linda demais! Nunca vi nada parecido! A companhia neste momento foi fundamental para superarmos este trecho até os 13 km. Foi aí que tomamos água, o 2º gel e o meu pesadelo: a DUNA MEGA ULTRA BLASTER mais famosa da corrida. Realmente, ela é terrível! Mas, nós estávamos bem. Neste momento, algumas pessoas já não se sentiam bem e foram ficando para trás. 

Percurso é recheado de trechos radicais
Nós continuamos felizes e acreditando que o pior ainda estava por vir, uma vez que a prova tinha ficado mais difícil. O Garmin da Thais, marcava 10 km, então estávamos nos preparando para mais uma duna. Continuamos correndo pela Cordillera de la Sal (Vale de la Luna), entre pequenas dunas até o ponto da Pepsi, 17 km. Sim, eles estavam entregando pepsi no meio da corrida! Nem pra ser uma coca-cola no meio do deserto!   Entramos no Vale de la Muerte. A paisagem ficou mais bonita ainda e, o melhor, era descida. 

O trecho bastante tortuoso, mas era descida. Todos diziam que já estava no fim e que faltavam apenas 4 km. Entramos na Pucara de Quitor, onde o trecho era plano, e sentíamos que a corrida estava acabando. Este trecho foi o mais longo da minha vida! Quando o meu GPS marcava 20 km, comecei a sentir uma dor no peito do lado direito. O ar começou a ficar inacessível e nada da chegada. Continuei firme e forte! Se tiver que desmaiar, que seja agora no final. Não é agora que eu vou desistir. Quando entrei na cidade, uma injeção de ânimo: os nativos começaram a correr comigo e me incentivar. O que eu estava sentindo mesmo??? Neste momento, me emocionei! Cheguei! E cheguei muito bem. Encontrei alguns amigos X e ficamos esperando os outros. Só emoção!
      
E o melhor, o day after, foi maravilhoso! Sem dores! Obrigada Dr. Victor Hugo e Nirley por toda a preparação! Fez toda diferença!

Ética na corrida - No dia após a corrida, conversando com alguns corredores, fiquei sabendo a existência de um caminhão que percorreu a maratona. Após 30 km, eles ofereceram uma espécie de “carona” para os maratonistas que estavam muito atrás. Vários corredores “pegaram uma caroninha” e chegaram juntamente com os guerreiros que fizeram a maratona completa. 

Será que e ético um caminhão em uma corrida? Acho que numa corrida como essa, até que poderia ter um caminhão para resgatar quem não deu conta, pediu arrego! Só não acho justo essas pessoas terem o tempo registrado como se tivesse feito a corrida toda! Colocaria a  pergunta nesse sentido, é justo essas pessoas terem o tempo registrado, na frente de muitas outras que sofreram para completar toda a prova correndo?"

Festa das mulheres da Equipe X

Grace Ghesti

2 comentários:

Anônimo disse...

Excelente!!!...e estaremos sempre na parceria Grace!!!...realmente só estando lá pra entender do que se trata!!!...abraços, Rafael (Equipe X)

Hayra Lima disse...

Uau!!! Que demais, superação e satisfação são duas coisas que fazem querer guerrear ainda mais! E sua amiga Grace arrasou!! Sucesso!