terça-feira, 26 de junho de 2012

REVIVENDO MINHA PRIMEIRA MARATONA (RIO DE JANEIRO/2010)

Eu correndo a Maratona em 2010
E aí, Corredor?!

Em 2010 resolvi encarar pela primeira vez uma maratona. Tinha 4 anos de corrido e enfrentado algumas meias maratonas. E, apesar de não ter feito um treinamento tão eficiente como o deste ano - só corri, de diferente e específico, 33 km - resolvi mesmo assim encarar o desafio, que se mostrou bem complicado.

Naquele ano, a Equipe X foi representada apenas por mim, Jailto e Nirley. Os dois, aliás, fizeram uma excelente prova, terminando os mais de 42k em 3h37 mais ou menos. São, até hoje, corredores fortes da equipe sendo que Nirley, inclusive, é o nosso professor.

Bem, a prova não foi nada fácil. O tempo estava frio. Nos dias anteriores e mesmo no dia da prova, a chuva castigou a cidade e deixou o trajeto cheio de poças d'água. Não podíamos, pelo menos no início, cair na besteira de molharmos nossos tênis, por que isso poderia dificultar bastante as passadas.

Basicamente plano, a Maratona do Rio tem início no Recreio dos Bandeirantes. Corremos cerca de 1,5k para dentro do bairro para depois pegar o sentido Barra da Tijuca e, assim, Aterro do Flamengo, local da chegada. A largada da maratona acontece às 7h30, o que nos obriga a acordar bem cedo.

Nos 13 primeiros quilômetros, corri acompanhado dos amigos Nirley e Jailto. Mas o ritmo deles estava bem mais forte e aí, deixei os caras irem embora por que eu não estava tão bem condicionado como eles. Isso aconteceu na praia da Reserva, que fica entre o Recreio e a Barra. 

A pista de duas faixas que tínhamos no Recreio e na Reserva na Barra foi drasticamente diminuída e nós ficamos apenas com uma faixa. Ou seja, centenas de corredores tinham que dividir o pequeno espaço, lutando para não cair nas poças. Eu acabei correndo boa parte do percurso aqui na ciclovia, o que resultou no final em uma quilometragem maior corrida.

Os 21k foram completados na altura da barraca do Pepê, início da Barra. Logo depois, encarei a primeira subida, a do Elevado do Joá. Pequena e cheia de motivações. Um DJ no túnel e raios lasers projetando imagens de corredores que realmente ajudaram. Mesmo com o MP3, curti bastante tudo. Isso sem contar o belo visual do mar e da praia de São Conrado que víamos do Elevado. Realmente incrível.

Mas é um trecho traiçoeiro. A pista é inclinada e a gente acaba se descuidando, encantado pelo belo visual e ainda descansados. Isso pode resultar em dores lá pelo 30º km. E eu, inexperiente, caí na armadilha.

O Joá ficara para trás e eu já estava correndo por São Conrado. A partir daí, um trecho que conhecia por que tinha corrido em 2009 a Meia Maratona Internacional da Cidade do Rio de Janeiro, que acontece em agosto, e que tem a largada em São Conrado, bem no início do bairro.

E depois, o grande temor da Maratona, a subida da av. Niemayer. E para piorar, é ali que acontece de chegarmos aos 30k. Isso mesmo, ali temos o "muro" dos 30, um mito entre os maratonistas pois e a partir dele que o corpo começa a sentir mais e mais. E isso aconteceu comigo.

Superei bem a subida, correndo bem. Mas na descida comecei a sentir uma pequena dor na panturrilha direita, dor que se intensificou no terreno plano, no Leblon. Esta dor só foi aumentando no decorrer do percurso. Em Ipanema a dor já estava quase insuportável, e fiquei com receio que não conseguiria completar a prova.

Passei por Copacabana e no final da praia não deu! No km 36, a dor travou a minha perna direita, que não me obedecia mais. Parecia que eu a tinha quebrado. Fiz uma massagem, "jogando" a dor para o meio da panturrilha e melhorou. Aí, comecei a andar rápido e, depois de uns 300 metros consegui começar a correr. Correr não é bem o nome. Trotei o resto da corrida. 

Daí não ouvia mais nada, não sentia mais nada, não sabia mais de nada. Só pensava que tinha que chegar e que 6k não iam me parar. Chegaria ao fim nem que fosse arrastado. E foi quase assim que cheguei. Parecia que estava carregando toneladas nas pernas.

Mas a sensação de vitória, de superação foram incríveis. Cheguei nem querendo ouvir falar novamente de maratona, mas depois de curtir o momento, após um banho quente no hotel, já estava planejando outra em 2011, que não rolou (ainda bem!). Adiei por um ano e ela vai acontecer este ano.

Foram 4h11 de corrida. Queria fazer em menos de 4h, e daria não fosse a cãibra na panturrilha. Mas ter chegado, ainda mais nas condições que cheguei, fiquei muito feliz. Ainda mais depois que vi a distância corrida pelo GPS: 43,99 km. Tudo por conta da ciclovia e de sair desviando dos atletas mais lentos.


E na volta, chegando ao hotel, travado no táxi com Jailto e Maria, que me esperaram chegar no final junto com o Ivan, ainda vi vários corredores por ali, em Copacabana, ainda tendo 6k para poder completar a prova.

Resumindo, o percurso é basicamente plano. Temos apenas uma pequena subida do Elevado do Joá, depois da Barra, e uma maior, na av. Niemayer, de cerca de 2k, e onde temos o "muro" dos 30. No mais, planinho e com um belo visual e cheio de cariocas nos incentivando. Muita água, isotônico e gel de carboidratos são distribuídos pelo percurso, o que nos tranquiliza. E, pelo menos nos anos que corri, o tempo é frio e mesmo chuvoso no Rio nesta época, o que é melhor que o calor, que traz a umidade para nos dificultar a correr.

Agora, é encarar a Maratona daqui a 12 dias novamente. Desta vez mais preparado e mais confiante de que conseguirei fazer bem a prova. A meta continua a mesma, correr em menos de 4h. E este ano terei mais companhia: Ivanilson, Orion, Ivan, Tião, Edna, Chamon, Susete, Paulinho, Eduardo e Cássio.

Boas passadas.

2 comentários:

Luiz Souza disse...

Falo sim Caíque.´
Tenho aprendido muito com vocês maratonistas. Sou muito grato a todos os comentários que vocês produzem.
Quando chegar a minha vez, levarei todos vocês junto em minha primeira maratona. Pode até ficar um pouco mais pesado, mas com certeza o apoio vai motivar muito mais.
Sucesso.

Corridas do Luizz

Caique (Carlos Henrique) disse...

Grande Luiz!
Essa é a máxima da corrida. A solidariedade. O compartilhar experiências. E, quando fizer, vou querer saber a sua.
Boas passadas.